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Sexta-Feira Santa: AS SETE PALAVRAS

 

SEXTA-FEIRA SANTA:

AS SETE PALAVRAS

30 a 31 de março de 1923

“Tudo o que estás vendo, escreve-o.”

(Nosso Senhor a Josefa)

É por meio de uma presença mútua que o Salvador associa Josefa à Sua Paixão no alvorecer da Sexta-feira Santa.

Ele manifestar-lhe-á visivelmente as Suas dores que se lhe imprimirão, ao mesmo tempo, no corpo e na alma.

Ela seguirá as divinas pegadas, partilhando a compaixão de sua Mãe, enquanto a sequência dos fatos se representará hora a hora sob seus olhos.

Quem será capaz de calcular a intensidade dessa união e a realidade dessa configuração com os sofrimentos de Jesus Cristo?

Josefa tentará descrever algo do que vê, ouve e sofre. Os têrmos ficarão sempre impotentes na sua pena. São entretanto testemunho ainda mais precioso por causa de sua simplicidade e merecem, por isso, conservação.

“Pelas seida da manhã, relata ela, vi-O na meditação, como durante a noite, mas sobre a túnica branca estava atirado um manto vermelho. Parecia extenuado. Disse-me logo:

“Josefa, dentro em breve os inimigos vão carregar os Meus ombros com a cruz que é tão pesada!”

“Supliquei-Lhe que ma desse pois queria tanto alivia-Lo!”

“Sim, toma-a e que teu amor Me suavize um pouco.

Dei-te a conhecer os Meus sofrimentos... segue-Me nêles... acompanha-Me e toma parte em Minha dor.”

Ainda pela manhã volta a ditar a Josefa a Via Sacra que fizera com ela dois dias antes.

“Seu rosto estava arranhado – escreve ela – os olhos inchados e ensanguentados! Deu-Me os pés a beijar na sétima, na décima primeira e na décima terceira estação. Antes de partir disse-Me:

“A hora da crucificação esta próxima... quando ela soar, far-te-ei saber.”

“Por volta de meio dia e meio, tornai a vê-Lo. A túnica está arrancada até à cintura”.

“Eis os momentos em que os algozes vão pregar-Me na cruz, Josefa. Põe tuas mãos sob as Minhas mãos... teus pés sob os Meus a fim de te unires estreitamente à Minha dor... que teus membros sofram com os Meus membros e que Minha cruz seja a tua cruz.”

“Então – escreve ela – uma dor tão violenta transpassou-me as mãos e os pés que todo o meu corpo ficou abalado... Ao mesmo tempo ouvi os golpes de martelo, lentamente repetidos e que ressoavam ao longe... com voz apagada, pronunciou as seguintes palavras:

“Eis a hora da Redenção do mundo! Vão erguer-Me do chão e oferecer-Me em espetáculo de escarnio aos olhos da multidão... mas também a admiração das almas!...”

“Alguns instantes depois, tornei a vê-Lo. Estava cravado na cruz  e a cruz levantada:

“O mundo encontrou de novo a paz!... Esta cruz que então fora instrumento de suplicio onde expiravam os criminosos, tornou-se a luz do mundo e o objeto da mais profunda veneração!

“Nas Minhas Chagas Sagradas os pecadores haurirão perdão e vida... Nas Minhas Chagas Sagradas as almas puras virão saciar a sêde e abrasar-se em amor... Aí, se refugiarão e fixarão para sempre sua morada...

“O mundo encontrou seu Redentor e as almas escolhidas o Modelo que devem imitar...

“E tu, Josefa, estas Mãos são tuas, para te ampararem... estes Pés para te seguirem sem nunca te deixarem sozinha!

“Tudo o que estas vendo, escreve-o”.

De novo tenta Josefa traçar o retrato do Salvador. Sabe que não se manifesta para ela senão para almas e que ela só esta ali para transmitir o testemunho das suas dores. Com toda a aplicação que lhe é capaz, esforça-se por não omitir traço algum.

“Estava pregado na cruz. A coroa cingira sua cabeça com grandes espinhos que se enfiavam profundamente. Um deles mais comprido que os outros entrava em cima da testa e saia perto do olho direito que estava todo inchado. O rosto, sujo e ensanguentado, pendia para a frente inclinado do lado esquerdo. Os olhos, embora inchados e injetados de sangue estavam ainda abertos e olhavam para o chão. Sobre todo o corpo ferido, viam-se as manchas das pancadas que haviam até, em certos lugares, arrancado pedaços da pele e de carne. O sangue escorrria-Lhe da Cabeça e das outras Feridas. Os lábios esravam roxos e a boca levemente torcida, mas da última vez que O vi havia voltado ao aspecto normal. Esta vista inspira tanta compaixão que é impossivel contemplar Jesus assim, sem ter a alma transpassada de dor! O que mais pena me causava era que Ele nem tinha a liberdade de levar a mão so Rosto. Vê-Lo assim pregado, pelas mãos e pelos pés, dar-me-á força para tudo abandonar e submeter-me à sua Vontade, mesmo no que mais me custar. O que também notei quando O vi assim crucificado foi que Lhe haviam arrancado a barba que dava tanta majestade ao seu rosto. Os cabelos que são tão belos e lhe dão tanta formosura ao semblante estavam amaranhados e colados pelo sangue e caiam-Lhe sobre a Face.” Compreende-se que tal espetaculo a deixe aniquilada e como que perdida na dor. A tarde se passa naquela pequena cela testemunha de tantas graças e que hoje, por misteriosa vontade de Deus, assemelha-se ao cume do Calvário.

Reina aí o silêncio e uma oração muda associa a alma de Josefa à Oblação Redentora.

“Pelas duas e meia da tarde – prossegue ela -  Jesus falou com voz entrecortada – Então  ela recolhe as Sete Palavras que Jesus Crucificado amplifica no ardor da última efusão.

“Ó Meu Pai – disse – perdoai-lhes pois não sabem o que fazem.

“Não! Não conheceram Aquele que é sua Vida. Descarregaram sobre Ele todo o furor de sua iniquidade. Mas Eu vos suplico, ó Meu Pai, descarregai sobre ele toda a força da vossa misericórdia!”

“ – Hoje, estarás comigo no Paraíso.”

“... porque tua fé na misericórdia do teu Salvador apagou todos os teus crimes... ela te conduz a vida eterna.

“Mulher, eis o teu filho.”

“Ó Minha Mãe! Eis os meus irmãos... guardai-os, amai-os... Não estais mais sozinhos, ó vós por quem dei a Minha Vida! Tendes agora uma Mãe à qual podeis recorrer em todas as vossas necessidades.”

Aqui Josefa interrompe a narrativa:

“Vi perto da cruz a Santíssima Virgem, de pé, e olhando para Jesus. Estava vestida com uma túnica roxa e envolvida num véu da mesma cor. Disse com voz dolorosa, mais firme:

Vê, filha até onde o reduziu o amor pelas almas! Aquele que contemplas neste estado tão triste e lastimável é o Meu Divino Filho: o amor O conduziu à morte!... é o amor que O impele a unir todos os homens com laços de irmãos dando-lhes a todos sua própria Mãe.”

Jesus continuou:

“Meu Deus!... Por que Me abondonastes?

“Sim a alma tem já direito de dizer a seu Deus: por que me haveis abandonado? Com efeito, o homem, depois de consumado o Mistério da Redenção, o homem tornou-se filho de Deus, irmão de Jesus Cristo, herdeiro da Vida Eterna.”

“ – Tenho sêde!”

“Ó Meu Pai! Tnho sede de vossa glória e... eis que chegou a hora!... De ora em diante, pela realização de Minha palavra, o mundo conhecerá que fostes Vós que Me enviastes e sereis glorificado.

“Tenho sede das almas e, para aplacar esta sede, dei até a ultima gota de meu Sangue!... Por isso posso dizer:

“- Tudo está consumado!”

“Agora se cumpriu o grande Mistério de Amor pelo qual Deus entregou à morte o seu proprio Filho para restituir a vida do homem.

“Vim ao mundo para fazer a vossa  Vontade: é Meu Pai, está cumprida.

“Em vossas Mãos entrego a Minha Almas e a Vós encomendo o Meu Espírito.

“Assim as almas que cumpriram a Minha vontade poderão dizer com verdade: Tudo está consumado”.

“Meu Senhor e meu Deus, recebi a Minha alma, eu a ponho em vossas Mãos.”

“ – Josefa, o que ouviste, escreve-o quero que as almas escutem e leiam o que está escrito... a fim de que se refrigerem as que tem sêde e se saciem as que tem fome.”

“Quando terminou estas palavras desapareceu:

“A Cruz, os cravos, a tristeza da alma, um sofrimento que não posso explicar... guardei tudo isso até pelas seis horas da tarde, quando tudo cessou de repente, menos as dores da coroa de espinhos.”

A prodigalidade das Visitas divinas encerra-se na tarde da Sexta-feira Santa.

O dia de Sábado de Aleluia se escoa sob a impressão das dores da véspera, de que Josefa não se pode afastar.

Na noite de Páscoa, pelas duas horas e meia da manhã, a Santíssima Virgem lhe aparece, de repente, radiante de beleza:

“Filha – diz apenas-Meu Filho, teu Divino Esposo, não sofre! Ressuscitou glorioso... Suas Chagas são agora a Fonte onde as almas virão haurir graças incontáveis e a Morada onde os mais miseráveis acharão abrigo.

“Prepara-te Filha, para adorar as Chagas gloriosas!”

No mesmo instante a Santíssima Virgem desapareceu.

“Não posso contar a pena que tive – escreve Josefa – vendo-A partir...

Eu queria voar atrás Dela para não ficar só! Mãs não mais A vi!”

(Excertos do Livro: Apelo ao Amor, onde Nosso Senhor e Maria Santíssima revelam a Sua Vontade a Grande Mística Josefa Menendez, das paginas 443 a 448.)

 

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