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O Evangelho como me foi revelado

A Chegada ao Cenáculo e o Adeus de Jesus à Mãe.

A Chegada ao Cenáculo e o Adeus de Jesus à Mãe.

17 de fevereiro de 1944.

Estou vendo o Cenáculo, onde deve consumar-se a Páscoa. Vejo-o em seus pormenores. Eu poderia contar todas as rugas da parede e as fendas do pavimento. É um salão não perfeitamente quadrado, mas também pouco retangular.

Haverá uma diferença de um metro ou pouco mais, no máximo, entre o lado mais comprido e o mais curto. o forro é baixo. Talvez ele assim pareça, porque a largura não corresponde à altura. É levemente encurvado, isto é, os dois lados mais curtos não terminam em ângulo reto com o forro, mas com um ângulo em forma de arco.

Nos dois lados mais curtos há duas janelas largas e baixas, em frente uma da outra. Não sei para quais lados elas estão viradas, se é sobre algum pátio, ou sobre alguma entrada, porque agora estão com as empanadas que as fecham, estão fechadas. Eu disse empanadas, Não sei se o termo está certo. São como uns batentes de pranchas bem fechadas por meio de uma barra de ferro que as atravessa.

O pavimento é de tijolos largos, de argila cozida, que o tempo fez ficar pálidos e quadrados.

No centro do forro está pendurada uma lâmpada de azeite, com vários bicos.

Das duas paredes mais compridas, uma é toda sem aberturas. Mas na outra há uma portinha, que fica a um canto, e à qual se chega por uma escadinha sem parapeito, com seis degraus, que vão terminar em um patamar de um metro quadrado. Sobre este, há, pegado à parede, um outro de grau sobre o qual se abre a porta. Não sei se me expliquei bem.

As paredes são simplesmente caiadas, sem ornatos. No centro salão há uma mesa grande, retangular, muito comprida em comparação com a largura, meio paralela à parede que é mais comprida e feita de uma madeira comum. Ao longo das paredes compridas, estão as cadeiras que vão ser usadas. A altura das paredes mais curtas, nas partes que ficam abaixo das janelas, há uma espécie de caixa-bancos, sobre as quais há umas bacias e ânforas, e por baixo de uma outra janela está uma credência baixa e comprida sobre a qual, por enquanto não há nada.

É esta é a descrição do salão onde se irá consumir a Páscoa. justamente hoje que me foi dado vê-lo distintamente, a ponto de ter podido contar os degraus, e observar todos os seus particulares. E, agora que vem chegando a noite, meu Jesus me conduz ao final da contemplação.

Estou vendo que o salão me conduz pela escadinha dos seis degraus para uma entrada escura, que fica ao lado esquerdo, como é vista daqui por mim, e se abre para a rua por uma porta larga, baixa e maciça, reforçada com brochas e barras de ferro. Diante da portinha, que do cenáculo vai para a entrada, há uma outra porta para quem vai para a outra sala menor. Eu diria que o Cenáculo foi feito num lugar escavado sobre um desnível do terreno, pelo que se vê do resto da casa e da rua, e é como um meio aterro, uma sala meio subterrânea, que precisou ser limpada e adaptada, mas que sempre ficou mergulhada um bom metro no solo, talvez para torna-la mais alta e proporcionada ao tamanho do conjunto.

Na sala que agora estou vendo está Maria com outras mulheres. Destas eu reconheço Madalena e Maria, mãe de Tiago, de Judas e de Simão. Parece que elas acabaram de chegar, conduzidas pelo João, porque estão tirando os seus mantos, pondo-os, dobrados sobre os escabelos espalhados pela sala, enquanto saúdam ao apóstolo que vai saindo, a uma mulher e a um homem que foram ao seu encontro quando chegaram, e que eu tenho a impressão de que são os donos da casa e discípulos, ou que simpatizam com o Nazareno, pois eles estão cheios de atenções e com uma grande confiança para com Maria. Ela está vestida com um azul celeste escuro, um azul de anil muito escuro. Está com um véu branco na cabeça, e que aparece quando ela tira o manto que lhe cobre a cabeça. Ela está com um rosto muito emagrecido. Parece envelhecida. Está muito triste, ainda que sorria com doçura. Mas está muito pálida. Até os seus movimentos são cheios de cansaço e de incerteza, como os de uma pessoa que está absorta em algum pensamento.

Pela porta semiaberta vejo 'que o proprietário vai e Vem pela entrada e pelo cenáculo que ele está iluminando completamente, acendendo os últimos bicos da lâmpada. Depois ele vai até à porta, que dá para a estrada, e a abre para que Jesus entre com os apóstolos. Vejo que já chegou a tarde, pois as sombras da noite já vêm descendo pela rua estreita, por entre as casas altas. E Ele está com todos os apóstolos.

Jesus saúda ao proprietário com sua habitual saudação: “A paz a esta casa”, e depois, enquanto os apóstolos vão descendo para o cenáculo, Ele entra na sala onde está Maria. As piedosas mulheres os saúdam com profundo respeito, e deixam à vontade a Mãe e o Filho.

Jesus abraça sua Mãe e a beija na fronte. Maria beija antes a mão do seu Filho e depois a face direita. Jesus faz que Maria se assente, e assenta-se também, a seu lado, em dois escabelos que estão perto um do outro. Ele a faz sentar-se, acompanhando-a até o escabelo, levando-a pela mão, e continua a segurar a mão dela, mesmo depois de Ela ter-se sentado.

Também Jesus está absorto, pensativo e triste, por mais que se esforce para sorrir. Maria olha com ansiedade a expressão do rosto dele. Pobre Mãe, que pela graça e pelo amor compreende que hora é esta! Contrações de dor se deixam Ver no rosto de Maria, e seus olhos se dilatam, diante de uma visão interna de espasmo. Mas ela não faz cenas. Fica majestosa, como o Filho.

Ele lhe fala. E a saúda, e se recomenda às suas orações.

“Minha Mãe, Eu vim para receber força e conforto de ti. Eu sou como um menino pequenino, minha mãe, que sente necessidade do coração de sua mãe para a sua dor, e do seio da mãe para sua força. Eu voltei a ser nesta hora o teu pequeno Jesus de outros tempos. Não sou mais o Mestre, minha Mãe. Sou unicamente o teu Filho, como em Nazaré, quando eu era pequeno, antes de deixar a vida oculta. Eu só a ti te tenho. Os homens neste momento não são amigos, e amigos leais, do teu Jesus. Eles não são nem corajosos em fazer o bem. Somente os malvados é que sabem ser constantes e fortes em fazer o mal. Mas tu me és fiel, és a minha força, minha Mãe, nesta hora. Sustenta-me com o teu amor e a tua oração. Não estás aqui senão tu, que nesta hora sabes orar entre os que mais ou menos me amam. Rezar e compreender. Os outros estão em festa, pensando só em festa, ou pensando em cometer delitos, enquanto que eu vou sofrendo muitas coisas. Mas muitas coisas morrerão depois desta hora. E, entre elas a humanidade deles, e saberão ser dignos de mim, todos, menos aquele que se perdeu e que nenhuma fora é capaz de reconduzir ao arrependimento. Mas, por enquanto, são homens tardos, que não sentem porque eu vou morrer, mas se alegram crendo que nunca estará próximo o dia do meu triunfo. Os hosanas de há poucos dias os deixaram embriagados. Minha Mãe, Eu vim para esta hora e, sobrenaturalmente, Eu a vejo chegar com alegria. Mas o meu eu também a teme, porque este cálice tem nome de traição, renegação, ferocidade, blasfêmia, abandono. Sustenta- me, é minha mãe. Assim como, quando, com tua oração, atrais-te sobre ti o Espirito de Deus, dando por Ele ao mundo o Esperado das Nações, atrai agora sobre o teu Filho a força que me ajude a completar a obra para a qual Eu vim. Minha mãe, adeus. Abençoa- me, minha Mãe, também pelo Pai. E perdoa a todos. Perdoemos juntos, desde agora perdoaremos aos que nos torturam.”

Jesus, ao falar, foi deslizando, de joelhos, até os pés de Maria, e a ficou olhando, segurando-a abraçada pela cintura. Maria chora sem gemer, com o rosto levemente levantado, em uma oração interior a Deus. As lágrimas lhe rolam sobre as faces pálidas, caem sobre o seu colo e sobre a cabeça que Jesus, por fim, apoia sobre seu coração. Depois Maria põe sua mão sobre a cabeça de Jesus, como para abençoa-lo, e depois se inclina, beija-o sobre os cabelos e os acaricia, depois nina naquela pobre cabeça cansada, como se Ele fosse uma criancinha, como eu a vi niná-lo na gruta do divino Recém-nascido. Mas agora ela não canta, mas somente diz: “Filho! Filho! Meu Jesus!” E o diz com uma voz que me dilacera o coração.”

Depois Jesus torna a levantar-se. Veste o manto, fica em pé diante da Mãe, que está chorando, e, por sua vez a abençoa. E, antes de sair, lhe diz: “Minha Mãe, Eu virei ainda, antes de consumar a minha Páscoa. Reza, enquanto me esperar.” E sai.

(Excertos do Nono Livro: O Evangelho como me foi revelado, onde Nosso Senhor e Maria Santíssima revelam Suas Vidas a Grande Mística Maria Valtorta, das paginas 427 a 430.)

 

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